Enquanto você lidera, seu filho também está aprendendo a liderar.

Muito se fala sobre o que esperamos das lideranças do futuro: empatia, escuta ativa, colaboração, regulação emocional. Mas pouco se fala sobre onde (e quando) essas habilidades realmente começam a ser desenvolvidas.

A resposta não está em MBAs ou programas de liderança. Está nos primeiros anos de vida.

Na pediatria, somos testemunhas de como o vínculo, a linguagem afetiva e os limites respeitosos moldam estruturas cerebrais que mais tarde se traduzem em como esse futuro adulto irá se comportar no trabalho — ou liderar uma equipe. Crianças que não são escutadas, dificilmente se tornam adultos que escutam. Crianças que são constantemente aceleradas, comparadas e pressionadas, crescem desconectadas de si — e isso aparece em líderes que não reconhecem suas emoções, vivem em modo reativo e perpetuam a exaustão nas culturas que lideram.

Há um elo inquestionável entre cuidado na infância e sustentabilidade emocional nas organizações. O impacto de experiências precoces é extenso: influência desde funções executivas como tomada de decisão, empatia e foco, até a maneira como um líder se comunica, resolve conflitos e cuida da sua equipe.

Portanto, se você busca inovação, cultura saudável e resultados sustentáveis, não ignore a origem. Os líderes de amanhã estão sendo moldados agora — nas escolas, nas casas, nos consultórios pediátricos, nos momentos de cuidado e presença.

👉 Como profissional da saúde infantil, meu convite é esse: que tal ampliarmos o conceito de liderança para além da sala de reunião?

Porque um bom cuidado começa no berço, mas reverbera até a sala do CEO.

Queremos líderes empáticos. Mas qual exemplo estamos dando para as crianças que serão futuros líderes?

A cena é cotidiana: uma mãe finaliza uma reunião importante enquanto o filho assiste à tela do tablet; um pai, exausto, tenta responder e-mails tarde da noite com uma criança ao lado pedindo atenção. Vivemos um entrelaçamento inédito entre as esferas do trabalho e da parentalidade — e, com ele, uma oportunidade poderosa (e muitas vezes ignorada).

Nossos filhos observam. Absorvem. E aprendem, sobretudo, pelo exemplo.

A forma como reagimos diante da frustração, como tratamos um colega com uma opinião diferente, como escutamos ou ignoramos — tudo isso ensina. E ensina mais do que qualquer palestra de liderança.

Essa geração de crianças está crescendo em um mundo onde o trabalho invade o lar. E, por isso, está crescendo também imersa nas nossas contradições: queremos líderes empáticos, mas vivemos com pressa. Queremos crianças seguras e autônomas, mas passamos o dia dizendo ‘espera só mais um minuto’. Queremos presença, mas ofertamos performance.

O chamado aqui não é por culpa. É por consciência.
Cada pequeno momento em casa é um exercício de cultura. Cada rotina familiar pode ser a base para formar adultos mais conscientes, humanos e preparados emocionalmente para os desafios do mundo profissional.

👉 A grande revolução da liderança pode muito bem começar no espaço mais íntimo da vida: sua sala, sua cozinha, sua escuta afetiva.

Porque a infância observa. E mais do que isso, se inspira.

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